Slow Fashion – it’s time to be conscious

As promessas de ano novo giram sempre em torno do mesmo, daquilo que julgamos ser mais urgente ou mais visível, mas que nem sempre são as mudanças mais necessárias. Muitas vezes aquilo que vimos é só o ápice de um problema muito mais profundo e é nada mais que a consequência de algo a ser resolvido ou enfrentado dentro de nós mesmos. Assim, para delinearmos atitudes para uma mudança produtiva é primordial que tenhamos a real consciência daquilo que precisa ser mudado. Afinal, não se obtém novos resultados praticando as mesmas atitudes, não é mesmo?

E embora essa filosofia se aplique lindamente a todas as áreas da nossa vida, é sobre moda que se trata esse artigo. O consumismo descontrolado vivido hoje em dia, fortemente incentivado pela indústria “fast fashion” tem patrocinado a exploração do trabalho de mulheres e crianças em países subdesenvolvidos, causando acidentes e mortes, e alimentando a pobreza miserável que esses vivem. Além disso, esse uso desenfreado e irracional do nosso limitado recurso natural, vem desencadeando as alterações climáticas intensas vividas nos últimos anos, o aumento descomunal da poluição e do lixo, entre outros vários desequilíbrios nesse mundo que é meu, teu e dos nossos. Isso tudo não é só uma questão de consumo consciente, mas também de responsabilidade social, sustentabilidade e, principalmente, de humanidade.

Assim, como todo grande primeiro passo, é fundamental termos interesse genuíno e disposição para sair da zona de conforto, abrir a mente e o coração para começar a observar, não só o nosso guarda roupa, mas também o mundo de modo mais abrangente… Antes de mais nada, é primordial entendermos que toda matéria prima passa por um grande processo de cultivo, por um longo e árduo trabalho daqueles que as confeccionam e tudo percorre um longo caminho para chegar até nós, embrulhadinho e bonitinho num saco com letras bonitas. E principalmente nunca esquecermos que esta peça maravilhosa, ainda com cheiro de nova, irá ter o seu fim, mais cedo ou mais tarde, num dos vários aterros lotados ao redor do mundo. É preciso termos mais consciência e respeito pelo processo produtivo, pois além de muito trabalho, há milhares de vidas envolvidas.

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O consumo consciente é o primeiro grande passo. Pode parecer pouco, mas essa indústria de banalização da moda e exploração de seres humanos só existe porque há quem a sustente: nós. Em nossa próxima compra, ao invés de questionarmos: “Por que comprar uma t-shirt branca por €50 se posso comprar uma por €5?”, tente se responder como é que algo pode chegar ao consumidor final a um preço tão baixo. Seria mão de obra, matéria-prima ou qualidade do produto, os responsáveis por deixar os preços tão diferentes?

Quer você seja fã de moda ou não, aconselho que pense no ciclo completo de cada produto que for adquirir, e questione: De onde veio? Como foi feito? Qual material foi usado? Quem fez? Como fez? Em quais condições? E quando nem todas as suas perguntas puderem ser respondidas, faça então as mais importantes: Eu realmente preciso disso? Vale a pena? Vai durar? Não se deixe seduzir pelos preços irresistíveis e resista às compras por impulso. Há sempre alguém nesse processo que está a pagar o real preço dessa conta aparentemente tão barata.

E lembre-se, a melhor compra é aquela que nos traz versatilidade, pois guarda-roupa lotado não é (e nunca será) sinônimo de guarda-roupa funcional. Compre menos, compre consciente e compre melhor.

Isso fará bem não só ao seu bolso, mas como também a todo o planeta.

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