Fashion Reversal

Tal como o ir e vir do oceano, na moda, tudo vai e volta. Se ainda não reparou, há alguns anos temos estado a reviver “anos de ouro”, cujo os quais já nem sabemos mais exatamente quais foram, pois sob esse mesmo slogan já estivemos sob influência dos gloriosos anos 20, 50, 70, 80 e por aí vai. Bem, ao que parece é que quando a moda já não tem mais nada para criar, recria o que outrora já havia sido criado. É como um bumerangue quando lançado ao ar que, não sabemos exatamente onde ou como volta, mas que só temos a certeza que vai voltar. Quando se atinge o auge, o topo, o limite já não há outro caminho senão o caminho de volta.

A verdade é que apesar de inovarmos, criarmos, inventarmos e reinventarmos uma série de coisas, acabamos sempre por sermos “os mesmos e vivermos como os nossos pais”, tal como já dizia a saudosa Elis Regina. Talvez isso seja parte do processo natural de evolução, mas fato é que a maturidade quando chega, inevitavelmente traz a tona os velhos valores. E assim como todos nós, talvez a moda também tivesse sentido necessidade de se rebelar e contestar suas insatisfações “sócio-político-econômicas”, mas agora, mais madura, parece voltar às suas origens, reavaliando seus valores, recriando os velhos shapes e “re-despertando” os velhos desejos, pois ainda que o novo esteja sempre por vir, o “velho” tem uma razão de assim o ser.

E embora a moda esteja sempre a desafiar os limites do design e a explorar as possibilidades da tecnologia, é o original, o criativo, o singular que realmente ganha o grande destaque e a tão desejada imunidade ao tempo. Por conta dessa desesperada e constante corrida atrás do novo, vivemos um momento de “exaustão fashion”, onde o mundo todo clama por menos. Assim, surge o “slow fashion“, um movimento a favor do essencialismo e do minimalismo, que estimula a criação de peças atemporais, com tecidos naturais de qualidade, que valoriza a produção artesanal e defende o comercio justo. Ou seja, um retrocesso frente ao modelo de mercado atual que, sob o intuito de fazer roupa a preços muito baixos para torna-las mais acessíveis (e mais rentáveis), têm produzido desenfreadamente provocando sérios danos ambientais pelo excesso de descarte, sociais devido a exploração de mão de obra barata, praticamente escrava, de países subdesenvolvidos e emocionais naqueles que tenta acompanhar o ritmo das loucas tendências, visto que é absolutamente impossível estar sempre “on trend“.

Mais do que promover e valorizar a criação de autor, respeitando o seu ritmo, enaltecendo a tradição produtiva, o meio ambiente e as condiçōes do trabalhador, o “slow fashion” busca resgatar o amor por todo o processo dessa nossa arte que se veste, recuperar a nossa estima por cada peça adquirida e o respeito pelo nosso planeta e por nós mesmos, uns pelos outros. Afinal, pode não parecer, mas nada disso é ou deveria ser descartável.