Detox Fashion

É verdade, ainda que já esteja desmistificado, há muita confusão quando se fala em consumo consciente. Embora signifique exatamente o que o nome diz – consumir de modo racional, há quem confunda essa maturidade de consumo com apoligismo à extremos. Não é preciso virar “hippie” para praticar consumo consciente. Ninguém quer (ou deveria querer) travar a economia ou fazer falir empresas. Longe disso. Na verdade, o real intuito é somente refletir e reavaliar o quê e porquê estamos a comprar.

Parece óbvio, mas juro, não é. Diversos estudos de comportamento já apontaram que a principal razão de irmos às compras – principalmente nós mulheres, é emocional. Situações como querer impressionar alguém; Sentir-se triste, ansiosa, entediada; Ou achar que precisa ter a peça “trendy” do momento para se sentir incluída num grupo social são algumas razões que nos levam a comprar aquilo que não precisamos. Você não precisa ser muito experiente para já ter percebido que conseguir agradar a todos, estar constantemente atrás de tendências e ter controle total do nosso “mood” são metas praticamente impossíveis, certo? Portanto, nem tente. Não vale a pena, acredite.

Hábitos de gastos emocionais só geram compras impulsivas das quais certamente não serão aproveitadas como supostamente deveriam ser. É como aquela caixa de bolacha recheada que você nem gosta tanto e que come por impulso porque está ali acessível, mas que logo depois se arrepende, sabe? Pois então. São calorias desperdiçadas. No caso das compras, dinheiro desperdiçado. Ao invés disso, que tal focar sua atenção (e o seu ordenado) na busca de peças de boa qualidade, duradouras e mais versáteis de modo a otimizar o seu atual guarda-roupa? Será como um “detox fashion“, onde passará por um processo de auto-conhecimento e encontrará finalmente o seu real estilo e usará roupas que efetivamente representam a sua personalidade e a sua vida e não aquele look book ou vida fantasiosa de uma “it” qualquer.

Se acha que faz sentido, mas já está a pensar que “dá muito trabalho”, então saiba que engana-se. Fazer uma limpeza no armário sendo honesta consigo mesma é o primeiro passo. Descartar tudo aquilo que não usa com habitualidade vai ajuda-la a perceber que tipo de roupa gosta e combina com seu estilo de vida. Talvez, você não consiga se desfazer de tudo que está sem uso, tudo bem. Mas mantenha-as em mente para não mais cair no erro de comprar peças semelhantes. Isto feito, faça uma lista daquilo que acredita que falta no seu guarda-roupa e, na próxima ida ao shopping ou próximo saldos, foque com todas as suas forças nela. E se, no meio disso, encontrar algo que fizer os seus olhos brilharem, respire fundo e controle-se. Vá para casa e “durma sobre o assunto”. Se no dia seguinte você ainda achar que vale a pena, volte e compre. Vai ver que tem outro sabor uma compra bem pensada.

A parte mais difícil é não pensar nesse tipo de comportamento como uma nova tendência, mas sim como uma quebra de padrão, um novo estilo de vida. Talvez você possa ter dificuldade no início, mas lembre-se: todo dia é um novo dia. Assim, como levamos tempo para chegarmos ao caos que o mundo da moda vive hoje, há de refletirmos (e agirmos) agora para, aos poucos, alcançarmos a mudança que um dia queremos ver.

*Foto Sebastian Kim