Buy Less, Choose Well

Isso não é novidade, há três anos, Viviene Westwood já levantava essa bandeira. “Compre menos, escolha melhor, faça isso durar” – sábia mensagem da fashion designer que já acompanhava de perto (e de dentro) o caos que o mercado da moda viria a se tornar…

Hoje em dia existe uma confusão entre a oferta de um produto e a “venda” de um estilo de vida cujo principal (e único) objetivo é despertar o interesse dos demais. Além do fator humano e social (sem mencionar os emocionais, é claro) o atual modelo de negócio, conhecido como fast-fashion, traz graves consequências para o meio ambiente. O super acelerado ritmo de produção e consumo de vestuário e seus acessórios aumentam consideravelmente (e irracionalmente) o uso dos recursos naturais, como água, energia e materiais químicos tóxicos, provocando uma significativa liberação do carbono que degrada o solo e gera resíduos e muita, mas muita poluição.

De modo a nos fazer parar para pensar, surge então o movimento slow fashion, a favor da moda sustentável. Uma alternativa à produção em massa e que vem ganhando cada vez mais força no mundo todo, mostrando não ser uma tendência, mas sim uma conscientização que veio para ficar. Foi criado pela  Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável do Centre for Sustainable Fashion na Inglaterra, inspirado no movimento Slow Food – que incentiva a consciência dos atuais produtos que consumimos, questiona a maneira que eles são produzidos, valorizando a diversidade e a riqueza de nossas tradições.

A indústria mainstream da moda depende dessa produção em massa para oferecer preços muito baixos e inúmeras coleções em prazos curtíssimos, do processo de design – em sua maioria réplicas das tendências apresentadas pelas grandes marcas – à distribuição às loja, mas o objetivo disso vai muito além de fazer da tendência algo acessível… A idéia é nos incentivar a comprarmos (sempre) muito mais do que precisamos de modo a sustentarmos esse mercado – esse sim é o principal objetivo. Porém, esse consumo excessivo, traz um preço alto e irreversível ao meio ambiente e aos trabalhadores dessa cadeia de produção.

De forma a questionar a real necessidade de tantas coleções, tantas tendências e tanto consumo, o Slow Fashion questiona: porque não investirmos na manutenção das roupas que já temos? Sugere então uma ruptura com esses valores e objetivos que são baseados apenas “no mais” e incentiva um modo de pensar, agir e consumir consoante as já conhecidas máximas: “qualidade sobre quantidade” e “menos é mais”. Além disso, nos convida a resgatar o valor das roupas e acabar com a imagem da moda como algo descartável e com o consumo como uma fonte infinita (e impossível, diga-se de passagem) de superação de frustrações.

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Até porque, sejamos sinceras, quanto do seu atual guarda-roupa realmente você usa? Experimente somar o valor de todas essas roupas compradas e paradas no armário e imagine só o que poderia ter feito com elas. Já imaginou? Pois então! Não acha que chegou a hora de sermos mais conscientes? Na próxima vez que for comprar algo novo, te convido a pensar e a responder algumas questões antes: será que realmente precisa disso? É fácil de usar? Por quanto tempo vai gostar dessa peça? É uma roupa versátil ou só vai vestir poucas vezes? Com esse rápido raciocínio é possível encontrar a resposta do custo-benefício no seu próximo investimento, independentemente do valor que ele seja.

Questione, seja curiosa, dê um basta no desperdício! Invista em peças especiais, de boa qualidade, versáteis e atemporais (ou intemporais), aquelas que têm a certeza que irá aproveita-las bem e somente compre quando realmente for necessário. Pois acredite, além de dinheiro não dar em árvore e o planeta não precisar de mais descarte, consumir de forma consciente e inteligente é o ato mais “fashionista” que um amante da moda pode ter.

*Imagens Fashion Revolution.