BeautyAlert: Usar ou Não Usar Protetor Solar?

E finalmente o verão chegou e já não pensamos em outra coisa senão estarmos ao sol acompanhados de uma boa praia, piscina ou um copo na esplanada, não é mesmo? Com os termômetros nas alturas, o protetor solar, para muitos, deixa de ser opcional e passa a ser obrigatório antes de sair de casa. Mas depois de tantas informações desencontradas sobre a toxicidade dos produtos de beleza é muito provável que você esteja, assim como eu, confusa sobre como aproveitar a estação mais quente do ano sem prejudicar a sua saúde. Basicamente a questão que fica é: usar ou não usar protetor solar neste verão que, diga-se de passagem, promete ser mesmo quente.

Possivelmente você já deve ter lido sobre a polêmica do uso de fator solar e até pode ter considerado algumas informações um tanto exageradas, mas a verdade é que os cosméticos são uma das principais fontes de contaminação por toxinas, mesmo aqueles produtos comprados em lojas “naturais” ou que trazem nos rótulos qualquer outro título do género, fruto de uma boa estratégia de marketing. Por isso, aprender a se proteger é preciso, uma vez que o maior órgão do corpo humano é a pele.

Vitamina D

O mesmo sol que é um grande aliado para a produção de vitamina D é também o nosso maior vilão quando o assunto é pele, pois seus efeitos principalmente a longo prazo são incontestáveis. Se a exposição solar é essencial à saúde, o desafio está em conseguir minimizarmos seus efeitos sem adicionarmos mais toxinas ao nosso já combalido corpo.

Por ser um dos principais hormônios circulante que temos é muito importante vigiar a taxa de vitamina D no nosso sangue. Os níveis de vitamina D nunca deveriam estar abaixo de 32 ng/mL, e qualquer nível abaixo de 20 ng/mL é considerado um grave estado de deficiência, aumentando o risco de várias doenças, incluindo o câncer. Aliás, estudos recentes já sugerem que esses fatores estão defasados e que o ideal é mantê-los entre 75 e 200 ng/mL… De todo modo, como são níveis dificílimos de controlar, os suplementos acabam por ser uma alternativa. Estes são basicamente de 2 tipos: o natural, vitamina D3 (colecalciferol), a mesma vitamina D que o corpo produz em contato com a luz solar; e a sintética, a vitamina D2 (ergocalciferol). Ambos precisam ser convertidos, mas a vitamina D3 ocorre 500% mais rápido do que a D2.

Também é importante saber os fatores que inibem a ação/absorção da vitamina D: falta de sol, inibidores da bomba de prótons, corticosteroides, excesso de cereais na alimentação e anticonvulsivantes são algumas delas. Caminhar ou simplesmente tomar o sol da manhã é uma boa opção, mas lembre-se de ser sem protetor solar, pois este inibe a produção de vitamina D pela pele – sim, é isso mesmo que você leu.

Protetor Solar: usar ou não usar?

Por mais estranho que possa parecer, essa é uma dúvida cada vez mais comum. Para nos protegermos dos danos causados pelos raios solares, necessitamos de proteção contra os raios ultravioletas, porém não contra todos eles. A luz ultravioleta vem do sol em dois principais comprimentos de onda: UVB (ultraviolet-B) – a forma “boa”, que ajuda a pele a produzir vitamina D e UVA (ultraviolet-A) que é considerada a “má” radiação, por penetrar mais profundamente na pele e provocar maior produção de radicais livres e dano celular. Vale dizer que os raios UVA nos atingem de forma constante durante todo o dia, o ano todo, mesmo num dia sem sol – daí aquele escaldão num dia nublado…

A maior parte dos protetores solares protegem apenas contra os raios UVB, isto é, aqueles que produzem a benéfica e protetora vitamina D. Ainda que ambos possam causar queimadura é o UVA que penetra a pele mais profundamente, tornando-se assim, muito mais importante no quesito fotoenvelhecimento, rugas e câncer de pele. Além dos protetores solares não protegerem adequadamente contra o UVA, a pessoa que o usa acaba por ficar exposto ao sol mais tempo do que deveria. Por essa razão que, desde o aparecimento dos protetores solares na década de 1980, não houve nenhuma diminuição na incidência de câncer de pele, aliás, muito pelo contrário… A verdade é que os protetores solares previnem os tipos de câncer mais comuns: carcinoma de células basais e carcinoma de células escamosas. Apesar de não serem inofensivos, raramente são fatais, mas para o melanoma, o tipo mais grave de câncer de pele, os protetores solares ainda não oferecem qualquer proteção.

Aqui na Europa, o fator de proteção UVA (PPD, de persistent pigment darkening ou índice de pigmentação persistente) de um produto deve ser, no mínimo, 1/3 do fator de proteção UVB (FPS). No Brasil, a minoria bloqueia UVA e se o faz, faz em quantidades ínfimas. Isso quer dizer que você pode estar usando um protetor pensando estar sendo protegida, mas as camadas mais profundas da pele estão literalmente “fritando”. Outro erro comum é achar necessário usar um FPS (fator de proteção solar) elevado para se proteger melhor. Um FPS 15 absorve 93,3% dos raios UVB, enquanto um FPS 30, 96,7%, e um FPS 50, 98%. O FPS dobrou e mais do que triplicou, mas o índice de absorção aumentou apenas 3,4 e 4,7 pontos percentuais, respectivamente.

Outra informação importante omitida é quanto ao modo de usar o protetor solar. Segundo os defensores de medicina “naturalista”, a recomendação é não usa-lo antes de sair de casa, pois é preciso de pelo menos 20 minutos de sol sem proteção para começarmos a produzir vitamina D. O correto, portanto, é ficar exposto ao sol até que a pele comece a ficar vermelha, para só então, aplicar a o protetor solar. Outra recomendação pouco comum é não tomar banho ou, pelo menos, não aplicar sabão no corpo assim que voltar da exposição solar. Como a vitamina D é produzida pela pele e é lipossolúvel, esta necessita daquela camada de óleo para ser absorvida adequadamente. Por isso, a sugestão é tomar um banho não muito quente e não passar sabão ou esfregar a pele antes de 12 horas. Lave apenas as partes íntimas e evite esfregar a toalha vigorosamente. Pode parecer estranho, mas a sua saúde agradece.

Exposição solar: qual o melhor horário?

Ao contrário do que se pensa, a melhor hora para tomar sol e produzir vitamina D em níveis adequados é por volta do meio-dia, a hora onde a incidência de UVB é maior e não naquele solzinho fraquinho da manhã ou da tarde – sim, eu sei, parece loucura, mas faz sentido. Quem vive em regiões próximas à Linha do Equador não tem tanto com o que se preocupar, mas aqueles que vivem em latitudes mais altas talvez não produzam vitamina D suficiente mesmo nos dias ensolarados.

A luz ultravioleta B (UVB) – a “boa” – varia drasticamente de intensidade com a localização geográfica, época do ano, hora do dia, grau de nebulosidade, etc. Isso significa que, muitas vezes, você pode até achar que está produzindo vitamina D num belo dia de sol ao ar livre, mas pode não estar. Precisamos de 290 a 300 nm (comprimento de onda) de UVB para produzir vitamina D, algo que pode acontecer somente no meio do dia nas latitudes maiores. A cor da pele também tem influência: quanto mais cor escura, menos síntese de vitamina D por minuto de exposição à luz UVB.

Sob ótimas circunstâncias, nossa pele sintetiza entre 10.000 e 20.000 UI de vitamina D em 30 minutos. Pessoas que não vivem em locais ensolarados, que evitam a luz solar ou que somente saem à rua com protetores solares possuem níveis perigosamente baixos de vitamina D circulante em seu sangue. Para corroborar com esta tese, as taxas de câncer de todos os tipos (não só de pele) são mais elevadas em países com baixa exposição solar. O mesmo ocorre com doenças graves, como esclerose múltipla. Vitamina D baixa no sangue é igual a maior mortalidade e por maior acometimento a todos os tipos de doenças.

Assim, o ideal seria não usarmos protetor solar de espécie alguma. E também deveríamos ficar expostos ao sol o tempo suficiente para a pele ficar vermelha e produzir vitamina D. Depois disso, voltarmos à casa e não tomarmos banho completo. Qualquer exposição adicional traz riscos e nenhum benefício à sua saúde. Porém, quando houver situações onde necessita-se ficar exposto por mais tempo e a proteção se tornar obrigatória, a maneira mais simples de se proteger do sol é vestir uma roupa que providencia uma proteção solar equivalente ao uso de um FPS 15.

Se entretanto, isso não for suficiente, então é necessário o uso de um protetor solar seguro e eficaz. Aqui é que a coisa complica, pois os protetores solares convencionais introduzem no seu corpo uma carga absurda de toxinas que, na verdade, só aceleram o câncer de pele e, por chegarem à corrente sanguínea, produzem efeitos tóxicos sistêmicos, incluindo desequilíbrio hormonal.

O protetor solar ideal seria aquele que não utilizasse derivados de petróleo (petroderivados) e que contém como ingredientes ativos óxido de zinco e dióxido de titânio. Também não deve conter vitamina A ou seus derivados, como retinol e retinilpalmitato. Pode parecer estranho, mas a vitamina A é um aditivo perigoso. A indústria a usa por ser um antioxidante que deveria retardar o envelhecimento da pele, porém o Environmental Working Group identificou que alguns tumores e lesões em animais de laboratório aumentam sua taxa de desenvolvimento em até 21% quando se usa um creme contendo vitamina A comparativamente aos que não a contém. Ainda que não haja nada comprovado quanto ao uso em seres humanos, esses resultados mostram que é prudente evitá-los.

Afinal, não há ninguém interessado em ser cobaia, não é mesmo?

*Via Caule Eco.Lógico – Médico Carlos Braghini Jr.